Lisboa, Menina e Moça

Primeiro Domingo de cada mês é sinónimo de entradas livres para monumentos nacionais e já é nossa tradição aproveitar as borlas.

No primeiro Domingo do mês de Novembro demos um pulinho à capital e Alfama foi a zona escolhida. O tempo cinzento com alguns rasgos de sol ameaçava chuva e estragar a nossa tarde. Felizmente, apesar do frio e de um pingo ou outro, o tempo foi nosso amigo.

Subimos até Alfama por Santa Apolónia, em direcção ao Panteão, também conhecido como Igreja de Santa Engrácia.

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“O Panteão Nacional, acolhendo os túmulos de grandes vultos da História portuguesa, ocupa o edifício originalmente destinado para igreja de Santa Engrácia. Fundado na segunda metade do século XVI, o edifício foi totalmente reconstruído em finais de Seiscentos pelo arquitecto João Antunes; embora nunca chegasse a abrir ao culto, conserva, sob a cúpula moderna, o espaço majestoso da nave, animada pela decoração de mármores coloridos, característica da arquitectura barroca portuguesa. Elemento referencial no perfil da cidade e oferecendo pontos e vista privilegiados sobre a zona histórica da cidade e sobre o rio Tejo, está classificado como Monumento Nacional.” (Texto retirado do Património Cultural)

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“A  igreja foi iniciada no ano de 1568, no local de um antigo templo de meados do séc. XII, por ordem de D. Maria de Portugal, filha de D. Manuel I, para receber o relicário de Santa Engrácia, tendo sido apenas concluída quatrocentos anos mais tarde, já no nos anos 60 do séc. XX, por ordem de Salazar, não já como igreja, mas como Panteão Nacional, onde repousam as figuras notáveis da História de Portugal, como Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, Sidónio Pais, Humberto Delgado  e Amália Rodrigues.” (texto retirado de biblioblog)

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A expressão “como as obras de Santa Engrácia”, comum na língua corrente, é utilizada para referir-se a algo que não chegará a acontecer, ou que demorará muito a acontecer.

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“A história da atribulada construção do edifício está ligada uma estoria popular. Esta conta que a construção da igreja teria sido amaldiçoada como consequência de um amor impossível. Violante, filha de um importante fidalgo, ter-se-ia perdido de amores por um cristão-novo, Simão Pires Solis. O pai da jovem, que não via com bons olhos o amor dos dois apaixonados, conseguiu encerrar a filha no convento de Santa Clara que se situava ao lado da igreja de Santa Engrácia, ainda em construção. Simão Solis não negou o seu amor por Violante e continuou a cavalgar todas as noites até ao convento para se encontrar com a sua amada. Certo dia, propôs a Violante que fugissem e deu-lhe uma noite para se decidir, pois no dia seguinte viria buscá-la. Por coincidência, nessa noite, foi roubado o relicário  de Santa Engrácia, tão cara à infanta D. Maria. No dia seguinte, Simão Solis foi preso e acusado de ser o autor do roubo mesmo depois de se considerar inocente, não podendo revelar a razão pela qual rondava a igreja todas as noites,  pois comprometeria a sua amada. Devido a tal facto e agravado pela sua ascendência judaica, Simão Solis foi condenado à morte na fogueira. Diz-se que no momento da execução terá lançado uma maldição enquanto as labaredas envolviam o seu corpo: “É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!”. (texto retirado de Biblioblig)

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Depois de subir ao terraço do Panteão, que por sinal tem uma das melhores vistas da cidade,  finalizámos a nossa visita a este monumento.

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Aproveitem os primeiros Domingos de cada mês, o preço por pessoa é de 4€ em dias ditos normais. Vale a pena!

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Alfama

Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece.É numa água furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade.

Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão
A silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção.

(José Carlos Ary dos Santos)

Passeámos por Alfama, ainda espreitamos a Igreja de São Vicente de Fora mas como não havia borla para esta, ficámos à porta.

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Alfama é um dos bairros mais antigos de Lisboa e foi fundado pelos árabes que lhe deram o nome “Al-hama”, que significa ‘fonte de águas quentes, águas boas’.

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Perdemo-nos por Alfama para nos encontrarmos. Sinto-nos no coração de Lisboa, genuína e pura, ao andar pelas ruelas desordenadas e estreitas.

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Subimos em direcção à Costa do Castelo, onde iríamos lanchar e descobrir mais um sítio giro (que no próximo post desvendaremos).

Pelo caminho passámos por sítios muito especiais …

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Pelo que percebemos, este era um edifício em ruínas que um artista sem-abrigo decidiu transformar numa galeria de arte urbana. Situava-se na Calçada da Graça.

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Caminhámos até anoitecer. Que bela tarde de Outono, ó Alfama!

Até ao próximo post,

Sofia e Sérgio

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2 thoughts on “Lisboa, Menina e Moça

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