Rato – Amoreiras – Campolide

“Seguindo o Aqueduto desde a Praça das Amoreiras onde tem fim a visibilidade desta estrutura, podíamos pensar que tão depressa estamos centrais e urbanos como passamos a estar periféricos ou rurais… Neste percurso vamos concretizar melhor esta hibridez urbana e questionar tanto os conceitos de centro e periferia como os de cidade e campo.
O Aqueduto será o fio de Ariadne de uma nova perspectiva sobre a construção do espaço urbano que debaterá as várias construções de cidade moderna. Através da observação de projectos tão diferentes quanto o próprio Aqueduto, o projecto iluminista pombalino, a auto-estrada A5 e o viaduto Duarte Pacheco, as Torres das Amoreiras e a infra-estruturação do Vale de Alcântara. Vamos dar a conhecer não só a vista aérea do Aqueduto que podemos ter sobre o Vale de Alcântara, desde a Ponte 25 de Abril a Odivelas, mas igualmente a coexistência da estrutura e espaços que pertencem ao perfil industrial construído desde o plano pombalino do séc. XVIII na área das Amoreiras e Campolide e a sua contemporaneidade Arquitectónica, Urbanística de lugar de serviços e habitação.” (Texto retirado do programa da visita, realizada pela Trienal de Lisboa)

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Ó Lisboa, não me canso de te querer conhecer melhor. Penso sempre que te sei de cor, mas na realidade tens tantos mistérios para desvendar. E este foi mais um.

Marquei um passeio pela Trienal de Lisboa, com visita guiada gratuita (excelente iniciativa!) com um professor que já tinha tido na Faculdade e que, por sinal, era muito bom a expor os seus saberes.

A visita começa no Largo do Rato, com um tempo meio encoberto, a pedir chuva.Aguentou, felizmente.

“Com a construção do Aqueduto, este sítio tornou-se mais procurado, e a abundância de água ajudou a que se fixassem algumas industrias como a «REAL FÁBRICA DAS SEDAS» e a «REAL FÁBRICA DE LOIÇAS DO RATO». O LARGO DO RATO, de denominação atribulada (pelas várias mudanças de nome). Em 1881, a Câmara de Lisboa delibera que a artéria passe a ter o nome de RUA DO RATO. Em 1910, com a República, passa a chamar-se PRAÇA DO BRASIL. A mudança não alterou o nome usado pela população, e em 1948 volta a ser LARGO DO RATO.” (texto retirado de Ruas de Lisboa com Alguma História)

O chafariz que vemos na parte inferior da foto, fazia parte da rede de fontanários de Lisboa, do século XVIIIapelidado de Chafariz do Rato. Foi inaugurado em 1744, sendo a obra atribuída ao Húngaro Carlos Mardel.

Subimos até ao Jardim das Amoreiras, pela Calçada Bento da Rocha Cabral, passando pela Capela do Rato.

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O nome deste jardim – Jardim Marcelino de Mesquita –  é uma homenagem ao dramaturgo, poeta e escritor do mesmo nome. No entanto, é mais conhecido pelo Jardim das Amoreiras. Foi idealizado e inaugurado em 1759 pelo Marquês de Pombal com plantação de amoreiras, tendo como objectivo estimular a Indústria Portuguesa de Sedas, que se desenvolvia na fábrica existente perto da praça.

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E entrámos aqui, no Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, sendo a entrada pelo Jardim.

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“A entrada em Lisboa do Aqueduto das Águas Livres, marcada pelo arco da Rua das Amoreiras, realizado pelo arquitecto húngaro Carlos Mardel, entre 1746 e 1748, fechou-se no Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras. Após a morte de Carlos Mardel, em 1763, o reservatório final do Aqueduto, iniciado em 1746, ainda estava por concluir. A obra foi retomada, em 1771, por Reinaldo Manuel dos Santos, que introduziu algumas modificações ao plano inicial. As principais alterações ao projecto sentiram-se na cobertura do edifício, na cascata e na substituição das quatro colunas toscanas, projectadas por Mardel, por quatro robustos pilares quadrangulares. A obra do reservatório, apesar de ter sido várias vezes retomada, mesmo após a morte de Reinaldo dos Santos, em 1791, só viu terminado o remate da cobertura e mais alguns pormenores em 1834, já durante no reinado de D. Maria II.” (Texto retirado de EPAL)

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“A água das nascentes jorra da boca de um golfinho sobre uma cascata, construída com pedra transportada das nascentes do Aqueduto das Águas Livres, e converge para o tanque de sete metros e meio de profundidade, que apresenta uma capacidade de 5.500 m3. Do tanque emergem quatro colunas que sustentam um tecto de abóbadas de aresta que, por sua vez, suporta o magnífico terraço panorâmico sobre a cidade de Lisboa. Na frente ocidental deste reservatório encontra-se a Casa do Registo, local onde se controlavam os caudais de água que partiam para os chafarizes, fábricas, conventos e casas nobres.” (Texto retirado de EPAL)

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img_1377-2(vista do terraço)

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Seguimos para o Bloco das Águas Livres, um edifício de habitação e serviços dos anos 50.

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“Obra ímpar no panorama da arquitectura habitacional contemporânea portuguesa, o Bloco das Águas Livres marca uma clara adesão aos princípios urbanos preconizados pelo Movimento Moderno e, sobretudo, ao modelo “protótipo” que Le Corbusier criou nas casas da Unidade de Marselha. Projectado por Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa em 1953 para integrar o plano de urbanização da zona da Praça das Águas Livres, iniciado então pela Câmara Municipal de Lisboa, o edifício tornou-se num dos mais emblemáticos da nova arquitectura de prédios de rendimento da capital. Implantado no alto do Rato, junto à Mãe d’ Água das Amoreiras, o bloco de edifícios estende-se sobranceiro à cidade, com varandas salientes que marcam o ritmo das fachadas, tanto na forma como na modelação de luz e sombra.” (texto retirado de Património Cultural)

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“Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa pensaram a estrutura como uma pequena comunidade independente. Às áreas de habitação juntam-se escritórios e lojas, e a circulação exterior entre os espaços é permitida por galerias longitudinais. Cada um dos edifícios possui áreas de serviço comuns, como lavandarias, garagens, salas de condomínio ou os jardins e espaços verdes interiores, da autoria de Gonçalo Ribeiro Telles. Um programa decorativo que engloba pinturas murais, mosaicos, vitrais e relevos caracteriza as áreas de uso colectivo (fachadas, átrio, cobertura), com obras de Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Vieira, José Escada e Frederico George; é a inclusão da arte na rotina quotidiana, dessacralizando-a.” (texto retirado de Património Cultural)

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A vista é de cortar a respiração. Foi um privilégio subir até à sala de condomínio e apreciar a cidade por uns minutos.

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Claro que o percurso não se desviou de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Talvez emblemático pela polémica que também levantou na altura em que foi construído – as Torres das Amoreiras.

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As Torres das Amoreiras são um complexo de edifícios projectados pelo arquitecto Tomás Taveira e construídos nos anos 80. Localizado junto a uma das principais avenidas da cidade e implantado numa zona de cota elevada, assume-se como um marco fortíssimo no perfil da cidade.

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Desviámos o percurso por meia hora, para visitar duas vilas – Vila Raúl e a Vila Romão da Silva. Deve ser sem dúvida um ambiente completamente diferente, mas será que com as melhores condições? (Fica a dúvida no ar.)

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Construída nas traseiras daquele que foi o Palácio Laguares, edifício do século XVIII. Com o incremento da industrialização tornou-se premente a necessidade de construir casas, económicas e salubres, para o operariado, parte integrante da nova realidade social que se forma nos finais do século XIX e se sedimenta nos primórdios do século XX.

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Chegámos ao destino final, curiosos pelo panorama que nos ia ser apresentado. Já tínhamos tido oportunidade de espreitar a vista de vários miradouros lisboetas. Mas e o do Aqueduto?

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“Construído entre 1731 e 1799, por determinação régia, o Aqueduto das Águas Livres constituiu um vasto sistema de captação e transporte de água, por via gravítica. Classificado como Monumento Nacional desde 1910 é considerado uma obra notável da engenharia hidráulica. A concretização desta obra implicou o recurso às nascentes de água das Águas Livres integradas na bacia hidrográfica da serra de Sintra, na zona de Belas, a noroeste de Lisboa. O trajecto escolhido coincidia, em linhas gerais, com o percurso do antigo aqueduto romano. A sua construção só foi possível graças a um imposto denominado Real de Água, lançado sobre bens essenciais como o azeite, o vinho e a carne.” (Texto retirado de EPAL)

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“No total, o sistema do Aqueduto das Águas Livres, dentro e fora de Lisboa, atingia cerca de 58 km de extensão em meados do século XIX, tendo as suas águas deixado de ser aproveitadas para consumo humano a partir da década de 60, do século XX.” (Texto retirado de EPAL)

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“A extraordinária arcaria do vale de Alcântara, numa extensão de 941m, é composta por 35 arcos, incluindo, entre estes, o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65,29 metros de altura e 28,86 metros de largura.”  (Texto retirado de EPAL)

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Uma curiosidade, não muito agradável: Entre 1836 a 1839 aconteceram neste local vários crimes hediondos, em que o assassino assaltava as vitimas que passavam pelo Aqueduto e de seguida atirava-as do mesmo, a 65 metros do chão. Diogo Alves foi por fim apanhado pelas autoridades em 1840 e, por isso, sentenciado à forca, um dos últimos condenados à pena de morte em Portugal.

E assim termino (não da melhor forma). Até ao próximo post.

Sofia

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